A onda dos clickbaits

Por Vitor Reis

O jornalismo moderno encontrou nos portais de noticia o seu maior expoente nos últimos anos. Uma parcela considerável da população busca suas informações diárias através destes portais, mesmo que por sites adjacentes, como mídias sociais (Twitter, Instagram, etc). Este cenário gerou uma preocupação dos grandes veículos midiáticos em consolidar uma posição de destaque e capitalizar em cima destes portais.

A partir desta realidade, formou-se um contexto de alta competitividade entre os grandes portais: a atenção dos leitores, e os acessos, interação, e tempo investido derivados desta, passou a ser o foco de diversas redações digitais. Boa parte da concentração nestas métricas, vêm, é claro, da necessidade de se apresentar aos anunciantes das páginas, um fluxo real de consumidores em potencial. Uma situação não tão diferente dos jornais impressos, convertida aqui para o ambiente digital.

Neste quadro, novas técnicas para gerar esta atenção começaram a se popularizar, portanto. É o caso, por exemplo, dos clickbaits, que em uma tradução livre para o português, são as “iscas de cliques”. Como o próprio nome sugere, os clickbaits, são uma técnica utilizada por alguns portais de notícia, que procura transformar o título de uma matéria, aquilo que o leitor em potencial primeiro vê, em uma frase chamativa e manipulativa, utilizando fatores como verbos no modo imperativo, sentido incompleto e pronomes catafóricos.

Esta prática, em menor ou maior grau, pode ser observada na maioria dos jornais eletrônicos de grande porte no Brasil. Um exemplo pode ser atentado a partir do artigo de estudo das influências da métricas do webjornalismo, autorado por Cintia Xavier e Larissa Cantuária Lucena. O trabalho acadêmico destaca a utilização dos clickbaits no portal G1 do Amapá, onde 19 títulos considerados clickbaits foram identificados no período de 31 dias estudado pelas autoras.

O quanto este tipo de técnica é nocivo ou benéfico para leitores e portais é um assunto que requer estudo, mas ao menos pode se dizer que a popularidade dos clickbaits é verificável, e a sua finalidade, ao menos em termos de cliques gerados, sustentada pelos dados destes portais.

Texto produzido como parte das avaliações da disciplina Análise e Monitoramento de Redes Sociais

ACI – Unitau

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