Clickbait: Uso pode descredibilizar o jornalismo digital

Ferramentas atuais podem ajudar a alavancar o material, sem prejudicar a origem da profissão

Por Larissa Tavares

O uso de clickbaits (caça-cliques) tem se tornado cada vez mais comuns nos meios de comunicação para divulgação de algum produto ou matéria jornalística, principalmente com o jornalismo impresso migrando cada vez mais para o digital. No mundo cibernético tudo é rápido, online e existe um diferencial para vencer a concorrência e é aí que entra o uso dos ‘’clicks’’. O uso dessa ferramenta, se refere ao conteúdo criado para aumentar os acessos aos sites e gerar publicidade digital, com uma ‘’pegada’’ mais sensacionalista e muitas vezes sem ética.

O mundo tecnológico que os comunicólogos vivem atualmente podem colocar em xeque a credibilidade de grandes veículos ou de grandes agências publicitárias, simplesmente pelo fato de muitas das vezes o conteúdo proposto no título não ser entregue ao decorrer do material. É possível analisar com frequência o uso do clickbait no jornalismo mais factual, mas isso pode acabar ferindo uma reputação que demorou anos para ser criada e uma legião de fãs que também demorou para ser credibilizada. Enquanto os estudantes da faculdade de jornalismo aprendem a dar um título curto, objetivo, que resuma a notícia e que seja ético, com o uso dos caça-cliques esses detalhes acabam passando batido, porque o que importa é a receita gerada através dessas ações.

Um dos maiores problemas do uso do clickbait é que os conteúdos patrocinados nas páginas online jornalísticas são quase iguais a notícia jornalística propriamente dita, o que consequente engana o leitor. Além disso, é preciso ressaltar que o veículo de comunicação autoriza o aval de credibilidade aos sites que linka, isso porque o site jornalístico comunica a seus leitores internautas que o site publicitário x é confiável e relevante. É para esses lugares que essas pessoas são levadas, é a desinformação sendo vendida em um lugar que luta contra isso. Além de sites, um dos maiores alvo do caça clique é a rede social Facebook, já que as pessoas querem compartilhar
quase que instantaneamente o material que aparece no feed, por isso essa rede social foi a primeira a combater esse tipo de desinformação, penalizando quem público o conteúdo falacioso.

Para identificar as técnicas mais usadas pelos produtores de caça-cliques, a plataforma de conteúdos Rockcontent deu alguns exemplos:

1º Uso frequente e constante de pontos de exclamação;

2º Expressões como ‘’você não vai acreditar’’;

3º Criação de um senso de urgência no título, com se a pessoa não pudesse passar nem mais um segundo sem descobrir do que se trata;

4º Uso de imagens que despertam a curiosidade, mas que não dizem nada.

Então, é possível notar que essa ferramenta não é vista com bons olhos, por isso foram criados outros métodos para que produtores de conteúdo e jornalistas consigam captar a atenção do público sem mentir ou trapacear. Por exemplo, em uma pesquisa divulgada pelo HubSpor, feita em 2017 pelo Content Marketing Institute, mostrou que o inbound marketing gera três vezes mais leads do que links patrocinados. Além desse existe também o conhecido como ‘’emotion-bait’’ (isca emocional), que seria conquistar o leitor através de aspectos emocionais sem aumentar ou distorcer a informação proposta.

Por isso, é importante pensar bem em qual método de marketing utilizar para atrair a atenção do público-alvo ou o persona através dos títulos. O jornalismo nasceu com o intuito de passar informações apuradas, com fontes confiáveis e oficiais.

Texto produzido como parte das avaliações da disciplina Análise e Monitoramento de Redes Sociais

ACI – Unitau

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