Jornalismo digital e sua faceta: o clickbait

Por Poliana Suellen da Silva

Com o advento da internet e o surgimento do Jornalismo Digital, estratégias para monetização do conteúdo tiveram também de se adaptar a esse novo meio. A publicidade antes presente em jornais, revistas e televisão passou a não ser suficiente para manter a presença dos conteúdos em formatos digitais. Apesar dos grandes veículos de comunicação terem enxugado suas equipes de produção, a exigência de mão de obra qualificada para além da redação surgiu, e com isso a contratação de profissionais multitarefas também. Se antes um jornalista tinha possibilidade de carreira nas áreas de assessoria de imprensa, rádio, TV, cinema, redação e etc. Hoje, o leque de opções para o exercício da comunicação se tornou maior com o nascimento do Monitoramento das Redes Sociais, que propicia á grande imprensa o alcance de um maior engajamento do público e consequentemente a monetização dos conteúdos, sustentada não somente pela publicidade, mas pelas redes sociais que são utilizadas para propagação de notícias.

No entanto, a gestão de estratégias que possibilitam maior engajamento digital deve continuar mantendo a base dos princípios para o exercício de qualquer atividade jornalística: a ética. Mentiras ou sensacionalismo não podem servir como instrumento dos veículos de mídia para atração do público. O problema é que boom do jornalismo digital trouxe consigo disputa maior entre concorrentes também, porque todos passam a produzir em um mesmo formato, sendo cada vez mais difícil a diferenciação entre si senão por qual veículo tem mais audiência que o outro. E isso leva os profissionais a fazerem uso de clickbaits para atrair leitores.

O clickbait é como um imã usado para atração, que pode facilmente perder a sua força devido ao que é encontrado depois do clique não condizer com o título publicado no link. Isso coloca o veículo de comunicação em descrédito e desconsidera a objetividade que é um dos princípios para o repasse de informações. Para garantir o clique, são utilizadas no título de notícias frases como pronomes catastróficos, verbos no modo imperativo ou interrogativo, além de construções textuais com sentido incompleto e da menção de lista enumerada. Depois de abrir o link então, o leitor se depara com um conteúdo completamente desconexo ao que lhe foi titulado.

O fenômeno do clickbait é algo que surgiu com a evolução do jornalismo para internet e acabou sendo esquecido com a eclosão das Fake News nas mídias sociais, mas ele também deve ser combatido. Em meio a geração que se não se aprofunda no que é compartilhado nas redes sociais, a falta do “clique” (que direciona o leitor até a notícia para que só então saiba o que está escrito) é perigosa porque o fato de ler um título causa em muitos a sensação de estar informado, só que quando se trata desse mecanismo, a realidade é a desinformação.

Texto produzido como parte das avaliações da disciplina Análise e Monitoramento de Redes Sociais

ACI – Unitau

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