Qual será seu lugar no mercado pós-pandemia?

Por Ricardo Guerra

 

Você deve ter lido muita coisa nestes últimos dias sobre como a pandemia e a mudança de comportamento (irreversível) das pessoas e empresas vai mudar o cenário do mundo e da Propaganda, mas talvez você não tenha percebido que a mudança é em Comunicação e não necessariamente em Propaganda.

Veja bem. Logo no início da pandemia, as grandes marcas ficaram caladas. Não se via tanta propaganda, muitos clientes cancelaram contratos, agências fecharam e novas oportunidades surgiram para suprir essas necessidades. Nas primeiras semanas, era difícil saber o que falar ou como falar. Nenhuma marca queria se mostrar oportunista (no pior sentido) e isso criou um silêncio ensurdecedor. Lembra?

Querendo ou não a Propaganda é um termômetro do mercado.

Quando os anunciantes pararam de investir, todo mercado já se abalou e a nossa realidade como publicitários e comunicólogos também. Mudamos pensamentos, mudamos formas de trabalho (home office), as agências médias e grandes se enxugaram, muitas sobreviveram com clientes estratégicos e investimentos em Conteúdo. Isso mesmo. Começaram a usar a Propaganda tradicional muito raramente ou com novas mensagens (pisando em ovos). Focaram em conteúdos, interações e ações relevantes para seus clientes numa pegada quase 100% filantrópica de bem maior (clichê, mas necessário). Talvez por isso, o Inbound Marketing seja a grande sacada dessa nova onda da Propaganda e do Marketing, em especial, do Digital. Mas que, como disse, é reflexo de uma mudança em Comunicação!

Publicitários, Jornalistas, Relações Públicas, Designers: todos reinventados.

Ninguém mais está seguro da sua profissão e nem como vai exercê-la. Parece um cenário pós-apocalíptico de um filme trash? Não é. Na verdade, é pós-pandêmico e tudo isso está mostrando que comunicar-se bem é um diferencial para as empresas. “Então a Propaganda não pode mais falar de produto? É isso?!” Calma. Podemos sim falar de produto (com muito cuidado: veja o delivery, cursos on-line etc.), mas o mais importante, foque nas pessoas e nos problemas reais delas Neste instante é a pandemia, amanhã será o quê? Daí vem um diálogo mais sincero e ajudas reais. Ou seja, a comunicação se tornou peça fundamental em um mundo cada vez mais “conectado” em que uma boa relação será vital para sobrevivência de todos. (hoje, sem hipérboles, for real!).

As marcas mais lembradas na pandemia fizeram ações sociais (e aí?)

Então, não basta aquela ajuda social só pra dizer que tá fazendo algo e sair bonito na foto. As marcas mais lembradas, segundo a Consultoria Croma: Ambev, Ypê, Itaú, Natura e Boticário, fizeram alguma ação social e deve ser por isso que foram lembradas, mas e depois? E antes? Só isso não me parece o bastante. Ninguém quer mais se relacionar com marcas “que fazem bonito” e nós precisamos entender isso.
Como você, na sua área de trabalho, pode ajudar nessa nova forma de comunicação? Não importa sua formação acadêmica neste momento, o foco agora é sua formação como pessoa. Pense bem no que você pode entregar pro mercado e o que você gostaria de receber? A resposta parece até mais simples quando direcionada com sensibilidade e olhar estratégico, mas precisamos pensar juntos. Algumas pessoas, agências e marcas parecem ter encontrado suas próprias respostas, seus propósitos e valores.

Marcas sendo úteis, “sinceronas” e mais conscientes.

O tal do Marketing 4.0 de Kotler parece que chegou com tudo e a pandemia só acelerou esse processo de amadurecimento pessoal dos consumidores. Não vamos ligar mais tanto para marcas de roupas, vamos valorizar mais o momento, as pequenas liberdades e os relacionamentos depois que tudo isso passar. Essa melhoria de “interiores” que nem o melhor arquiteto poderia imaginar, vai refletir nos “exteriores” e as pessoas vão se conectar apenas com marcas que dão match, combinam com elas, são úteis e falam de assuntos pertinentes (ou divertidos?) mesmo que não seja sempre sobre produtos e serviços.

Um futuro assustadoramente inspirador!

Eu, particularmente, estou bem assustado com o futuro (e muito entusiasmado!). Não é fácil compreender, eu sei, mas tem saída. Agora, você tem mais um motivo para encontrar sua paixão e ser útil. Não importa sua área de atuação, faça a sua propaganda, fale com o mercado e com as pessoas. Importe-se com a opinião de quem você admira e aprenda com todos alguma coisa. Valorize-se. Você vai encontrar o seu lugar. Ou então vai precisar criá-lo. Aliás, esse é um outro tópico muito bom: criatividade, mas isso fica para um próximo texto. E só para terminar com um meme bem idoso, mas cheio de sentido agora:

Keep calm and good luck, my friend!

Ricardo Guerra é formado em publicidade e propaganda pela Unitau, pós graduado também pela Unitau em Comunicação Corporativa, Marketing e Mídias Sociais e atua como redator publicitário.

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