“Rede de Intrigas”: a guerra pela audiência e o show de notícias

Na rede de televisão americana UBS, o âncora do jornal da noite, Howard Beale (Peter Finch), recebe a notícia de que vai ser demitido dentro de uma semana por causa da baixa audiência que seu programa tem alcançado. Ele anuncia, depois da notícia, que vai se suicidar em rede nacional no seu último dia na emissora. Beale se retrata no jornal seguinte, declarando que não ia mais se matar, mas tem um acesso de raiva e começa a denunciar a hipocrisia da sociedade, apresentando-se como um profeta dos dias atuais. Sua profecia faz a audiência do jornal disparar.

É assim que o filme Rede de Intrigas (Network) começa. A produção de 1976 conta com direção de Sidney Lumet. No elenco estão  Faye Dunaway, William Holden, Robert Duvall e Peter Finch, que recebeu um Oscar póstumo de melhor ator principal em 1977. Howard Beale instantaneamente se transforma em uma figura da sociedade com sua fúria e suas queixas. Seu programa de notícias, aos poucos, se transforma em um programa de entretenimento, e a decadente UBS usa Beale para tirar o maior proveito de sua fama e alavancar a audiência.

Rede de Intrigas, apesar de ter sido produzida nos anos 70, é uma ótima perspectiva de uma boa parte do mercado de notícias atual e uma das mais apuradas produções sobre o jornalismo já feitas. As notícias viram um show e a busca da audiência, unida ao desinteresse da população, torna-se um cenário ideal para o sensacionalismo e o espetáculo.

JP Ribeiro 

ACI / UNITAU

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